

Vocês podem achar estranho, mas não resisti à comparação. Ontem rolou aqui no Rio a pré-estreia de "À deriva", novo filme de Heitor Dhalia, que dirigiu também de "Nina" e "O cheiro do ralo". No elenco, Vincent Cassel (La Haine, Incassable), Deborah Bloch e Camilla Belle. O filme se passa nos anos 80 num balneário brasileiro e tem como tema central a família. O casal Clarice e Mathias tenta se recuperar de uma crise conjugal enquanto passa as férias de verão com os três filhos na praia. Filipa é a mais velha. Obcecada pelo pai vive as dificuldades de relacionamento com a mãe, comum para uma adolescente de 14 anos que começa a despertar para o amor e o sexo. Menina virando mulher, Filipa sofre o amor e a decepção que se sente pelo pai descontando na mãe tudo aquilo que não consegue entender sobre a vida adulta.
Apesar do tema universal, a família, "À deriva" parece mais um filme francês. Não só pela presença de Cassel, mas pela atmosfera francesa evocada por Dhalia. Tanto que me lembrou o excelente "Stella", de Sylvie Verheyde, que vi há duas semanas.
Stella é uma menina de 11 anos que vive com os pais no andar de cima de um Café parisiense, negócio do casal. Naquele ambiente pouco convencional para uma pré-adolescente, Stella vive as dores e as delícias próprias de uma menina da sua idade: sofre com o amor platônico que sente pelo amigo dos pais, enfrente as dificuldades de adaptação na escola e não faz amigos. Como se diz em sua língua, Stella é gauche na vida. Assim como Filipa conhece o chamado adultério bem de perto, na verdade o vê com os próprios olhos, dá o primeiro beijo, se apaixona pela primeira vez num verão. E, no final, sai fortalecida e menos alquebrada que seus pais.
Os dois valem a pena, mas "Stella" é melhor. Sensível ao extremo, verdadeiro e completamente despretensioso o filme é da pequena atriz Leòra Barbara. A diretora e roteirista Sylvie foi bastante feliz em sua estreia. Pena que só tenha ficado duas semanas em cartaz.